O câncer de próstata (CAP) é um dos mais comuns nos homens em todo o mundo, perdendo apenas para os cânceres de pele do tipo não-melanoma (e em alguns países, também perde para o câncer de pulmão). Estima-se que um a cada 6 ou 7 homens será acometido da doença no decorrer de sua vida.

Podemos considerar como fatores de risco para CAP a idade (quanto mais o homem envelhece, maior a chance), ser afrodescendente, e história familiar de câncer de próstata (sabemos que também pode haver relação com cânceres de mama, ovário e pâncreas).

Felizmente, o CAP é uma doença rastreável, ou seja, através de exames podemos detectá-lo de maneira precoce, quando é pequeno e localizado. Assim, as chances de cura podem ser superiores a 90%. Nesse sentido, o rastreamento é feito através de exames como o PSA e o toque retal, e a ressonância magnética pode complementar a investigação. A partir da suspeita clínica, com a alteração desses exames, o próximo passo é a realização da biópsia da próstata.

A biópsia da próstata é um exame que consiste na retirada de amostras de tecido prostático através de uma agulha específica. Essas amostras são analisadas microscopicamente por um médico patologista especializado. O resultado pode mostrar condições benignas (como inflamação, por exemplo), pré-malignas (como o PIN de alto grau) ou malignas (CAP). Vale lembrar que o objetivo da biópsia é detectar câncer, portanto não indicamos este exame se não houver suspeita de malignidade.

Em pacientes que já tem o diagnóstico de CAP e que estão em vigilância ativa (método em que o paciente é apenas observado, sem tratamento radical – realizada em pacientes selecionados, de baixo risco), a biópsia é repetida após um certo período ou se houver sinais de progressão da doença.

COMO É FEITO O EXAME?

De maneira geral, é feito com anestesia local, com ou sem sedação (alguns serviços realizam com anestesia geral ou raquianestesia + sedação), e dura cerca de 15 minutos. No Brasil, a maioria dos serviços faz o procedimento por via transretal, ou seja, através de ultrassom introduzido pelo ânus do paciente, para poder visibilizar a próstata. Através de uma agulha de biópsia, são retiradas pelo menos 12 amostras de tecido prostático.

Após o procedimento, o paciente pode ter sintomas como sangramento na urina, nas fezes e no esperma, ardência ou dificuldade para urinar. Esses sintomas geralmente são leves e auto-limitados, e duram alguns dias. Febre é um sinal de alerta para uma possível infecção, e nesses casos, o médico deve ser procurado.

Além da via transretal, existe a via perineal, ainda pouco utilizada no Brasil, tem a vantagem de diminuir muito a chance de infecção pós-procedimento (visto que pela via transretal as agulhas perfuram o reto, o que pode levar bactérias intestinais à próstata), mas exige cuidados e gastos maiores, com anestesia mais profunda ou raquianestesia.

Por fim, a biópsia da próstata é um exame imprescindível para o diagnóstico do CAP. Muitos serviços realizam com sedação, o que permite conforto e segurança ao paciente.

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